segunda-feira, 14 de julho de 2014

A abordagem da Copa do Mundo nos blogs da região

Por Paloma Jasmini
A abordagem da Copa do Mundo 2014 nos blogs da região, mais especificamente o Blog do Carlos Britto, Blog do Geraldo José e Blog do Banana, basicamente se limita em textos retirados de outras agências de notícias que são postados na íntegra (apontando sempre a fonte da informação). Os únicos textos mais diversificados e de autoria própria são, na verdade, os artigos de opinião produzidos por leitores colaboradores.
Dentre esses três blogs observados, o tema em questão (ao menos a partir deste ano) aparece como algo distante da realidade local. Apenas o Blog do Carlos Britto ainda menciona algum reflexo da Copa do Mundo na cidade de Petrolina. Ainda assim são textos minúsculos (notinhas) que aparentemente surgiram de nada mais que uma simples observação do que há nas ruas da cidade.
Um exemplo disso é a nota intitulada “A uma semana da Copa, espírito verde e amarelo começa a dar as caras em Petrolina”, que explana o fato das ruas estarem finalmente sendo decoradas para o mundial e também o fato do comércio estar intensificando o investimento em artigos verdes e amarelos e a ornamentação de seu ambiente na temática da Copa.
Uma das mais recentes “matérias” divulgadas no Blog do Geraldo José foi uma nota simples sobre o resultado do amistoso que aconteceu na última sexta (06) entre o Brasil e a Sérvia. O interessante é perceber que mesmo para dar uma notícia tão breve e simplória, o Blog ainda recorreu a Portal R7, reproduzindo tal informação.
Mais interessante ainda é perceber que enquanto eles esquecem o local para pautar de maneira mais cômoda o nacional, uma agência de maior renome e distante dessa realidade como o Estadão deu matérias como “Professor da Univasf participa de estudo científico que vai auxiliar na Hidratação dos jogadores da Seleção Brasileira”, que traz o resultado de estudos de um professor da região que desenvolveu uma bebida isotônica com base na necessidade individual de reposição de nutrientes e líquidos.
Apesar da proximidade e, portanto, a possibilidade de explanar isso por outro viés e com mais detalhes, o Blog do Geraldo ainda optou por noticiar na íntegra a matéria do Estadão.
Enfim, as matérias difundidas nestes blogs, até então, foram matérias provenientes de outras agências de notícia. Deixa muito a desejar sobre a movimentação para a Copa aqui na cidade, já que quase todas as matérias abordam mais coisas como a convocação, venda de ingressos, programação dos jogos, ou seja, a Copa de um modo geral e como algo distante de nossa realidade.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Novidades no Diário

Por Raryana Wenethya
Quem acompanha diariamente as notícias regionais pelo jornal impresso Diário da Região já deve ter percebido algo de novo em algumas de suas editorias. São novas colunas idealizadas de forma criativa voltadas para a divulgação de artistas regionais destacando seus trabalhos, assim como curiosidades, fatos e pessoas com produções interessantes, seja caricatura ou bonecos de feltro, que “bombam” na internet.
Esses textos, publicados no fim de semana, geralmente nos sábados, trazem um ‘ar’ mais jovial e moderno ao veículo, o que contribui para atrair mais o interesse dos leitores.  Uma das colunas tem o nome de Achei na Web, e pode ser encontrado nos cadernos: Diversas ou Entretenimento. Trata-se de uma entrevista ping-pong feita com uma personalidade encontrada na internet, e que tem algo de curioso e relevante para ser mostrado. A exemplo de pessoas que dirigem peças teatrais; que customizam roupas e sapatos; que confeccionam bolsas, camisetas ou que tenham um empreendimento ‘badalado’, como uma lanchonete.
É certo que o Diário da Região não está no ranking dos melhores jornais veiculados, nem é o melhor se tratando de conteúdos produzidos, devido a tantos e outros fatores que deixam a desejar no que se refere a um meio de comunicação jornalístico, no entanto está apostando nas novidades, mudando aos poucos seu posicionamento editorial. É como já dizia George Bernard Shaw, jornalista irlandês do século XX: “O progresso é impossível sem mudança”. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O futebol e o reforço dos estereótipos

Por Maria Yamakawa
No clima de Copa do Mundo, os veículos de comunicação de Petrolina têm se esforçado em pautar o tema – seja na televisão, rádio, impresso ou nos blogs. Numa reportagem no programa de segunda-feira (9), o GR TV 1ª edição apresentou uma enquete feita nas ruas da cidade com as mulheres para testar os conhecimentos delas sobre futebol.
A ideia de abordar a Copa do Mundo com o foco no local é digno de parabéns, porém ao enfatizar as respostas das mulheres que sabem pouco de futebol, no meu entendimento, a mídia reforçou estereótipos impregnados na sociedade machista. Por isso, ao acessar todo o conteúdo apresentando na edição em questão, várias perguntas surgiram na minha mente: por que somente os homens podem saber de futebol? As mulheres não podem ter conhecimentos sobre esse assunto? Por que apelar para o “humor” de expor respostas erradas e diminuir a inteligência das mulheres? Porque quando um homem não sabe sobre futebol, não é ridicularizado na televisão? Essa pauta existiria com homens?
O ponto positivo de pautar a Copa na cidade seria muito mais bem feito (e prestaria um papel social pra o gênero feminino) se fosse construída sem trabalhar em cima de estereótipos. Até mesmo a postura da repórter é de se estranhar, porque ela é uma mulher e acaba ridicularizando suas iguais.
Ao reforçar a imagem de que mulheres não podem ter conhecimentos de assuntos “masculinos”, a jornalista e a empresa ferem um dos princípios do Código de Ética dos Jornalistas. É dever do profissional combater qualquer tipo de discriminação de gênero, religião ou outro motivo.
O conteúdo jornalístico é construído em cima de pensamentos machistas, que nada acrescentam a figura feminina. Pelo contrário, reforça a ideia de que o gênero feminino não tem conhecimentos de áreas das quais os homens são “naturalmente feitos para isso”.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pré e o pós primeiro jogo do brasil na imprensa local

Por: Gisele Ramos

É incrível o impacto que um evento de grande porte como uma Copa do Mundo tem sobre algumas pessoas. Expectativa é criada e, mais do que isso, por causa dos jogos, muitos hábitos são mudados. O curioso é observar que, ao menos no cenário local, essa “mudança” de hábito não diz respeito apenas aos torcedores, mas também a uma parte dos veículos de imprensa online local.

Observando com cuidado a cobertura dos blogs Gazzeta, Carlos Britto e Geraldo José e nos 4 dias que precederam o jogo de estreia da seleção contra a Croácia, fica clara uma mudança de postura em relação ao que vinha sendo retratado, mesmo que, em alguns, isso fique mais claro. Já foi assunto, em textos anteriores, a pauta da falta de regionalização da Copa, coisa que finalmente foi colocada em pauta.

Com matérias como a de “um aplicativo para acompanhar os jogos” (Gazzeta), “os melhores bares de Petrolina para se assistir ao jogo” (Geraldo José), “Horários de funcionamento dos estabelecimentos da cidade no dia” (Gazzeta e Carlos Britto),” a preparação dos diversos bairros que se pintaram para receber a seleção” (Gazzeta), entre outras, o jornalismo regional cumpriu, em parte, oseu papel de se aproximar da população. Deixou de tratar a Copa comouma realidade reservada às capitais  do país e a aproximou do interior.

Claro que algumas matérias assumiram muito a cara de release e pecavam em conceitos básicos de jornalismo online (como a falta de uma suíte e a ausência de hiperlinks), mas em comparação ao tratamento anteriormente dado à Copa de acordo com nossa realidade, é um avanço.

Outra mudança percebida é a presença de diversos artigos opinativos escritos pelos leitores, prática mais constante no Gazzeta e no Carlos Britto. Abrir esse espaço para o público é tão importante quanto publicar matérias da realidade, pois faz com que o mesmo também se sinta uma engrenagem do processo.

Obviamente, as matérias de cunho nacional (coletiva do Filipão, guia para entender a copa, histórico da seleção) não deixaram de existir. Elas continuam (e continuam com cara de release, sem nenhum aprofundamento), mas, dessa vez, dividindo espaço com o meu, o seu e o nosso. 

sábado, 5 de julho de 2014

A mídia, a Copa e adjacências



Por Carlos Humberto

Estimativas da FIFA revelam que um público de 3,5 bilhões de pessoas irá assistir à Copa em mais de 200 países. Isso é quase metade da população mundial! Juntas, as emissoras exibirão 73 mil horas de transmissão. É como deixar a TV ligada, direto, por oito anos. 

Essa será uma copa superlativa, de números astronômicos. Foram pedidos 11 milhões de ingressos, dos quais 3 milhões já foram vendidos e 20 mil profissionais de imprensa foram credenciados para a cobertura, três mil a mais do que os dois últimos mundiais. Num ato de “generosidade”, a FIFA estipulou o prêmio de R$ 78 milhões para o time campeão, 37% a mais do que na Copa da África do Sul em 2010. Uma “merreca”, se compararmos ao total que será rateado entre as 32 seleções, cerca de R$ 1.272 bilhão. O lucro previsto pela empresa presidida pelo suíço Joseph Blatter está na casa de R$ 4 bilhões líquidos, graças, em parte, às benesses governamentais que isentam patrocinadores Fifa, o chamado imposto zero. Pior para nós que pagamos até 35% de impostos numa cesta básica de alimentos.

Nos rincões desta terra chamada brasilis, nós, nativos, sabemos dimensionar o alcance destes números? O que significa legado para nós, moradores do país anfitrião do maior evento de um só esporte – o futebol – do mundo? Será que a tão propalada mobilidade urbana vai desviar o meu caminho para o trabalho?

Esse provável conflito não deve ser colocado na conta da ignorância e alienação da maioria da população que por motivos conhecidos não tem acesso ao significado dessas informações. Essa mesma maioria tem problemas prosaicos mais urgentes a resolver do que rebater o “pé na bunda” prometido pelo secretário JéromeValcke.

E a mídia nacional, onde se encaixa nesse contexto de números extravagantes? O produto chamado futebol, administrado nem sempre de forma transparente pela Federação Internacional de Futebol Associação, não teria tamanha dimensão se não fosse a cumplicidade objetiva dispensada pelos meios de comunicação na propagação desse fenômeno que cresce em progressão geométrica.

Se a população confere à Rede Globo índice de audiência de até 84% em dias de grandes jogos, a sua responsabilidade como formadora de opinião, proporcionalmente, deve ser medida pelo mesmo parâmetro.

O futebol, ao longo do tempo, se transformou saindo das linhas do campo para se tornar até mesmo questões de Estado. As cifras que chegam ao chamado mercado midiático são bilionárias, e as políticas adotadas pelas grandes redes de comunicação influenciam a sociedade através da cultura do mundo capitalista.

Nesse contexto, ignorar as manifestações populares, por exemplo, nem sempre é uma boa política. Uma cobertura isenta, profissional e educativa sempre carrega no seu bojo resultados que refletem positivamente no crescimento de uma nação e do seu povo.

Reflexões sobre o futuro da mídia regional

Não resta dúvida que ‘legado da copa’ foi (é) a expressão mais usada, indistintamente, seja pelos opositores à realização do evento da Fifa em solo brasileiro, seja por aqueles que abraçaram a causa desde 2007 quando o país foi escolhido para sediar a 20ª edição da Copa do Mundo de futebol.

Distante aproximadamente 500 quilômetros da cidade-sede mais próxima, vislumbro que o jornalismo da região do Vale do São Francisco terá o seu grande legado através do projeto Chuteiras Fora de Foco, formado por alunos do Departamento de Comunicação da Uneb em Juazeiro, sob a coordenação da professora Ceres Santos.

Em especial, o jornalismo esportivo regional, carente de novos valores, será beneficiado pela entrada no mercado de jovens profissionais que enriqueceram colocando em seus currículos duas coberturas jornalísticas da maior envergadura, a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014, na capital baiana.

A identificação de alguns com o tema e suas ramificações permite acreditar numa renovação histórica na mídia local em curto espaço de tempo, proporcionando o rejuvenescimento de um setor cada vez mais ocupado por interesses alheios aos ideais de um bom jornalismo.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O jornalista do Vale não vai ao teatro?

Por Lícia Lara Dantas
 
Observando os produtos jornalísticos produzidos no Vale do São Francisco, é possível ver um grande número de releases sobre espetáculos teatrais. Isso seria um considerável incentivo ao teatro nas cidades de Juazeiro e Petrolina, se não ficasse resumido a estas ações. Não encontramos críticas sobre a montagem, sobre o figurino, sobre os atores, dançarinos, sobre nada e sabe o porquê? Porque o jornalista não costuma ir ao teatro. Ele divulga, entrevista, fotografa, mas não assiste e passa para o público como foi aquela estreia ou como está a peça que já foi montada inúmeras vezes. Não estamos habituados a ver impressões dos jornalistas regionais sobre a produção artística local, apenas divulgação dos espetáculos. 

Existe uma máxima no teatro que diz que existe uma velhinha surda sentada na última cadeira e que ela precisa escutar o que os atores dizem. Essa velhinha também pode ser substituída pelo crítico de arte, este que sentado na última, na primeira ou no meio da fileira, tem seu papel bem definido ao chegar a um espetáculo, seja de teatro, dança ou dança-teatro, como é bem comum em nossa região. O papel dele é registrar, observar e após isso tecer uma crítica bem estruturada, ressaltando os pontos relevantes e colocando também o que precisa ser melhorado, mesmo que de forma sutil, pois não queremos inimizades e nem estranhamentos entre artistas e jornalistas. No entanto, para realizar esse trabalho, o jornalista precisa conhecer do seu objeto para que essa crítica tenha valor, não é só sentar em uma peça e digitar suas impressões a posteriori.

Dessa forma, o jornalista do Vale do São Francisco precisa adentrar na quarta parede e descobrir o que vive por trás das cochias do teatro. Porque só assim conseguirá estruturar uma crítica coerente, firme e que seja apreciada pelos que fazem o espetáculo e também por quem o assiste. O público ao se deparar com esse trabalho pode decidir melhor porque deve ver essa ou aquela montagem, podendo depois concordar ou discordar totalmente da crítica. Aí que mora a magia desse formato jornalístico. É dada a possibilidade de interação entre crítico, público e também de quem faz, todos podendo interagir para que o texto tome forma e receba de seu público ativo outras críticas, sugestões, comentários ou agradecimentos.

Hoje, algumas críticas são feitas de forma informal, geralmente pelo Facebook. Caberia até ao jornalista também observar esses trabalhos que já são feitos e os receber também para a composição de sua entrada para o universo da crítica de arte. O jornalista do Vale precisa ir ao teatro, e não só isso, precisa entrar, sentar, ouvir, anotar, entrevistas, perceber, sentir, conhecer a história, o processo de criação, para só assim, conseguirmos construir uma cultura desse estilo jornalístico entre os leitores da região. Começando com o jornalista e quiçá culminando na mudança da visão e interesse no teatro de forma geral.