quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Vandalismo ou Liberdade de expressão?

Por: Aparecida Débora Sousa Pereira


A revista Veja, da editora Abril, fez uma grande reportagem e destacou em sua capa o caso da corrupção da Petrobras e que o Ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva e a Presidenta Dilma Rouseff, “sabiam tudo”. A revista foi antecipada em um dia, do convencional das publicações. Esta que levou cerca de 200 pessoas a protestarem em frente a porta da editora, com muita sujeira e pichação, esse protesto foi repudiado pela mídia, e os presidenciáveis também falaram a respeito. A Associação Nacional dos Jornais relatou como lamentável e intolerante a ação e que as pessoas não sabem conviver com a democracia e nem tão pouco a liberdade de imprensa.

Os manifestantes são integrantes da União da Juventude Socialista e alegam que o protesto não estava condenando a liberdade de imprensa, mas por estar em período eleitoral, uma revista de grande relevância nacional, relatar um fato de grande repercussão e que já estão sendo apurados e os envolvidos já condenados, colocar na capa a atual Presidenta e o Ex- Presidente Lula, com uma afirmativa “sabiam tudo”, isso dois dias antes das eleições foi no mínimo um ato que a Veja estava querendo “mudar” o rumo das eleições.

Considerar um protesto sempre como liberdade de expressão, está nos autos da democracia, onde as pessoas têm livre arbítrio para decidir o que é melhor e associável a sua vida. Agora manchar a imagem pública ou privada de determinada entidade, com sujeira e pichações, está relacionado a Vandalismo.  Entidades midiáticas querem esconder, ou ao menos tentar esconder que não era a intenção modificar os rumos das eleições, mas como, faltando menos de quarenta e oito horas para a votação, e a revista muda o dia de sua publicação e ainda faz propaganda da edição nas mídias? Querer trabalhar a ação dos populares para esquecer a barbaridade em tal edição da Veja é minimamente intolerável. Até onde vão usar a mídia como o quarto poder para influenciar e até mesmo modificar os ideais da população? 

A mídia está sendo usada como álibi pelas grandes empresas jornalísticas, em que seus objetivos estão inseridos claramente na forma como são conduzidas as matérias, entrevistas, como e quando são disponibilizados para a sociedade. Este procedimento fere ativamente a pratica jornalística que é estudada, onde deve ser cumprido a objetividade e imparcialidade, tentar implantar informações em determinados períodos, em especial o eleitoral, é desonesto e ilegal, por colocar apenas o que é de interesse da empresa, órgão individual.
 
 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Editorias policiais: release ou notícia?

Por Mirielle Cajuhy

Nessa era de tecnologia, acostumamo-nos a consumir os mais diversos produtos da forma mais rápida possível. No mundo da comunicação, parece que as notícias estão seguindo esta mesma linha. O que percebemos nos blogs da região e nas informações que neles são veiculadas, é que a velocidade - de publicação e consumo - é priorizada em detrimento de uma notícia bem apurada, com riqueza de informações e fomentadora de reflexão.
No dia 01 de novembro, o Blog do Geraldo José veiculou uma notícia intitulada: “CIPE - Caatinga entra em confronto com assaltantes, apreende armas, munições e dinheiro roubado em Uauá”. O texto, sem dúvidas, era um release policial, com direito aos termos mais complexos da área, no entanto, não estava creditado. Em situações como essa, em que nos deparamos com notícias que foram repassadas tais quais foram recebidas, surge uma necessidade de nos perguntarmos: que tipo de informação é essa que estamos consumindo?
A notícia aqui citada apresenta não só uma estrutura e uma linguagem que dificultam a compreensão do fato, como também, um enquadramento tendencioso que privilegia a ação da polícia (“mesmo diante da injusta e inesperada agressão, conseguiram atingir os meliantes, evidenciando de que o revide policial fora pontual”, entre outras expressões). Esta tendência já é esperada por se tratar de um release. Publicar textos assim é, inevitavelmente, beneficiar um lado da história no lugar do esclarecimento dos fatos e da reflexão a respeito do tema geral contido na notícia – nesse caso, a criminalidade.
É importante destacar, que, durante o confronto narrado no release em questão, dois homens morreram. No entanto, esse fato foi apenas uma notificação dentro do texto. A narração da troca de tiros, os muitos e diversos objetos apreendidos, a descrição densa e detalhista das armas e das balas que estavam com essas pessoas ganhou um destaque muito maior, logo, uma importância maior. Fica explícito que a cultura do “bandido tem que morrer mesmo” é fomentada pela polícia, repassada pelos meios de comunicação e acessada pelos leitores. Não cabe aqui ser dito que todas as pessoas que lêem esse tipo de notícia serão “manipuladas” pela informação. Mas, uma influência por conta do enquadramento, acontece.
Portanto, é necessário que fiquemos atentos aos blogs, às fontes que são utilizadas por eles e ao contexto das editorias das notícias. No caso da editoria policial da região, os releases se fazem muito presentes. Então, se analisarmos na íntegra, veremos que esta editoria passa a cumprir o papel de divulgar os atos policiais, e não de conscientizar as pessoas a respeito da criminalidade.


A Espetacular Vida de Suzane von Richthofen

Capítulo de Hoje: O Casamento
Por: Juciane Aleixo

Um casal foi encontrado morto dentro de casa em um bairro nobre de São Paulo no dia 31 de outubro de 2002. As investigações iniciais trabalhavam com a hipótese de assalto, mas dias depois foi descoberto que Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados pelos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, a mando de Suzane von Richthofen, filha deles.

Jovem, bonita, pertencente a classe alta e assassina dos próprios pais. O caso reunia vários elementos a serem explorados pela mídia, que  não demorou muito a repercuti-lo em todo país.  Rádio, televisão e impresso traziam diariamente novas informações envolvendo o caso. Uma novela que até hoje ainda rende capítulos na imprensa brasileira.

Suzane foi julgada e condenada pela morte dos pais no ano de 2006 e sempre que um fato novo acontece na vida dela, é amplamente divulgado pela mídia nacional. A novidade da vez é o casamento da presidiária com a também detenta Sandra Regina Ruiz, condenada por sequestro e assassinato.

Logo os veículos começaram a explorar a união do casal. O Jornal Correio, por exemplo, trouxe em sua matéria de capa de hoje, 30/10, o perfil da companheira de Suzane. "O casamento de Suzane von Richthofen com Sandra Gomes é o babado do momento", diz o texto da manchete. O termo babado do momento e uma fotomontagem com Suzane vestida de noiva ao lado de Sandra vestida com smoking já nos dão indício de como foi feito o encaminhamento da matéria.

A reportagem tem como título "Drão, o amor de Suzane" e subtítulo "Quem é Sandrão? Foi ela que roubou o coração de von Richthofen". Não fosse o sobrenome já conhecido, não seria difícil pensar que se trataria de mais uma notícia sobre celebridades em um portal de fofoca qualquer.

O jornal aborda o caso com sensacionalismo, enfatizando acontecimentos que não são relevantes para a sociedade. O que acrescentará ao leitor, em termos de conhecimento crítico, saber quem é a esposa de Suzane von Richthofen?

Assim a notícia foi tratada apenas como mercadoria. Tratar uma condenada pela justiça como celebridade não deveria ser o papel dos jornais, mas essa tem sido uma tendência da mídia na sociedade contemporânea: transformar fatos em espetáculos e tratar as notícias como entretenimento.

Os veículos estão, cada vez mais, tirando o foco da informação e destacando histórias sensacionalistas, visando atrair os leitores para comprar jornal. Assim, o jornalismo ao invés de levar as pessoas a refletirem criticamente está apenas alimentando o público com notícias sem conteúdo relevante, visando o lucro.

"Blogs - Amigo ou Inimigo do Bom Jornalismo?"

Por: Krishnamurti Silva de Lima
               
O quadro "Proteste Já" do programa CQC - Custe o Que Custar - da Rede Bandeirantes tem por sua essência acatar denúncias da população sobre irregularidades governamentais e ir investigá-los, interrogando os possíveis responsáveis e buscando soluções para as problemáticas que perturbem o bem-estar da localidade. Mesmo que caracterizado como um programa de Infotenimento (Termo criado por Dejavite [2006] que significa "informação com entretenimento"), os princípios básicos do jornalismo nesse quadro são respeitados, como a apuração dos fatos, a presença das fontes fundamentais que ilustram o problema, e a tentativa de ouvir todos os lados citados nessa problemática. Por enfrentar quase sempre autoridades políticas, os repórteres mexem com os brios dos representantes ao questionar tais anomalias públicas e provocam uma tensão que nem sempre terminam só em diálogos acalorados ou na falta total dele; Agressões e calúnias são frequentemente visíveis. 
            No começo da última semana de Outubro (26), a equipe do CQC com o repórter Oscar Filho foi até a cidade de Caxias, no Maranhão. O tema a ser abordado era o grande número da mortalidade infantil que o hospital municipal da cidade passou a apresentar nos últimos meses. Entre parentes das vítimas da situação e populares, o prefeito de Caxias, Léo Coutinho (PSB) também foi procurado para dar sua explicação sobre essa situação. No auge da entrevista, os ânimos de ambos se exaltaram e o prefeito foi chamado pelo repórter de "sem caráter" por se esquivar das perguntas feitas. - Por mais que o profissional da impressa seja humano e tenha sentimentos, o respeito ao entrevistado é imprescindível -. Após o término da fabricação da matéria, notícias surgiram em blogs atestando o acontecido, mas um em especial tratou-se de julgar o acontecimento revertendo e desqualificando o jornalista. O título e sua matéria apresentando discurso odioso e com termos risíveis apontava que o repórter estaria sob efeito de psicoativos e além de ofendido o representante majoritário de Caxias, teria contratado os serviços de profissionais do sexo e não pagado. A matéria não apresentava nenhuma prova concreta sobre tais atos, somente vídeos amadores contendo a entrevista que virou bate-boca.
                O termo blog – que a priori surgiu como weblog – brotou na internet antes dos anos 2000. Em tradução livre, blog significa “diário da rede” e fundamentalmente surgiu para que os seus donos postassem informações constantes sobre suas próprias vidas. Se no final de 2000, a quantidade de blogs mal chegava a 50, três anos depois mais de quatro milhões já apareciam na “blogosfera” abrangendo seu significado; Agora abarcam também o âmbito corporativo, organizacional e o jornalístico.
            A constatação que se pode ser feita sobre o uso dos blogs para as características jornalísticas é a que se valendo do anonimato da Internet, muitos se aproveitam para divulgar informações inverídicas e caluniosas sobre um grupo ou alguma pessoa em específico – como no caso da “pseudo-notícia” analisada nesse texto. O Marco Civil da Internet sancionado pela Presidenta Dilma Rousseff em Junho desse ano rege, entre outras coisas, que em caso de calúnia e difamação, o provedor que hospeda o blog caluniador deve também ser processo e medidas legais para o descobrimento do seu autor serão automaticamente feitas.

A discussão sobre o papel dos blogs no jornalismo tem vários vieses, mas um dos principais é o papel que esse deve apresentar para um bom cumprimento das normas dessa nobre profissão, pois o que entendemos é que a internet é um meio hoje, sine qua non para o jornalismo. 

CRÍTICA: Matérias sobre o casamento de Suzane Von Richthofen, nos jornais online "O Dia" e "Correio 24 horas" e a "Revista Veja Online"



Por: Eliane Simões


           Na semana pós-eleições presidenciais, um caso bastante peculiar vem sendo líder de acessos nos sites de notícias, desde o último dia 28 de outubro: a união homoafetiva entre a jovem Suzane von Richthofen e Sandra Regina Gomes, mas conhecida como Sandrão. Digo peculiar, não pela natureza da relação, que deveria ser vista como algo naturalmente aceito, mas pela vida egressa do casal. Suzane e Sandra estão no presídio feminino da cidade de Tremembé-SP, e foram condenadas a crimes considerados hediondos. E como agravante, Sandrão é ex-mulher de Elize Matsunaga, que matou e esquartejou seu marido em 2012, e também se encontra presa no mesmo local. Um roteiro perfeito de novela; triângulo amoroso inusitado, quase um romance policial. Ingredientes perfeitos para que qualquer jornalista "faça festa", e consiga chegar aos TT's (Tredding Topics/Assuntos mais comentados do Twitter).
            Verificando a mesma notícia nos sites dos jornais "O dia" (Suzane Von Richthofen se casa com sequestradora em presídio de SP)  e "Correio 24 horas" (Caso de Suzane von Richthofen com 'Sandrão' é antigo, diz agente penitenciária), e da "Revista Veja online" (Suzane Richthofen se casa dentro da cadeia. Com uma sequestradora)  é inegável as semelhanças nos textos,  o que parece soar como release ou "notícia plantada",  com uma leve variação de informações entre um e outro. Mais um fator é que todas as matérias não possuem um rosto, uma voz, uma subjetividade notadamente visível, já que não foram assinadas por jornalistas, mas pela redação - um conglomerado uniforme.
              Porém, o mais preocupante é como a construção do texto se formou ou se espetacularizou (como preferir), e tamanha a incidência de um preconceito velado na abordagem. Explico: as matérias expõem com força um certo descontentamento, ou estranhamento de seus autores, diante do triângulo amoroso entre três mulheres. E isso fica claro, quando todos os textos expõem o fato delas terem "regalias" na penitenciária por assumirem o relacionamento afetivo, como se duas pessoas do mesmo sexo que assumem um relacionamento amoroso na prisão deveriam ser privadas de cultivar esse sentimento, ou mesmo dormirem juntas como qualquer casal. Palavras como   "desfrutam de privilégios oferecidos apenas a casais"(Correio 24 horas), "com o casamento, Suzane tem o direito de dormir com a companheira (...) Com esta nova regalia (...)" . (O Dia), "cela especial" (Revista Veja Online)
              Aqui não se exime de nenhuma das três a culpabilidade por seus crimes, ou muito menos, se "perdoa" ou as "absolve" de qualquer coisa, apenas se entende que não cabe ao jornalista formar juízo de valor, mesmo que de maneira tênue ou subliminar. De acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, "todos são iguais perante a lei", e se a carta magna da nossa federação rege isso, quem somos nós, detentores do poder da escrita e da divulgação dos fatos, trabalhar com a diferenciação entre os seres? 

REFERÊNCIAS: